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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Elisa Cardoso/ Máquina Estúdio
Foto de capa
Marcel Gautherot
21.00 x 14.00 cm, 472 pp.
ISBN 9788535911848
59,00
Tocaia Grande
Romance, 1984 | Posfácio de Mia Couto
     Depois de liderar uma tocaia sangrenta contra um inimigo de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança, o povoado de Tocaia Grande. Ali, passa a cultivar cacau. Agora proprietário de terras, Natário encomenda no Rio de Janeiro, então capital do país, patente de capitão. Assim, nos moldes de um coronel nordestino, começa a ampliar seus domínios e a impor sua autoridade.
     Tocaia Grande cresce e de lugar de pernoite passa a lugarejo, depois a arraial. O lugar recebe prostitutas, tropeiros, jagunços, ciganos e trabalhadores que perderam emprego nos latifúndios. Vários personagens compõem a história do povoado: Bernarda, afilhada e amante de Natário; Venturinha, filho do coronel Boaventura e bacharel em direito; a cafetina Jacinta Coroca; a feiticeira Epifânia; o negro Castor Abduim, conhecido como Tição, e o comerciante libanês Fadul Abdala. Aos poucos, de terra sem lei o povoado amplia-se até alcançar o estatuto de cidade e receber o nome de Irisópolis.
     Em Tocaia Grande, Jorge Amado descreve o processo de formação de uma cidade nordestina nascida sob o signo da violência e da disputa de terras. Romance caudaloso e panorâmico, revela a “face obscura” de um lugar em que a lei não vigora nem há presença formal do governo.
     Na região cacaueira, a pequena cidade de Irisópolis é o microcosmo de uma sociedade de funcionamento tradicional e arcaico, que recebe os ventos da modernização sem perder a herança perversa. Apesar do progresso, da emancipação e dos elementos civilizatórios, o lugar vai conservar seus traços originais: o sangue derramado, a marca do pecado e a memória da morte.
Ilustração de Floriano Teixeira


Alemanha, 1987


POVO BRASILEIRO, O (EDIÇÃO DE BOLSO)
Darcy Ribeiro
Neste livro, que considerava a súmula de seu pensamento sobre o Brasil, Darcy Ribeiro explica por que, e como, os brasileiros são o que são. O país visto como uma Roma mestiça e tropical, destinada a criar uma esplêndida civilização na mais bela província da Terra.


     Tocaia Grande é a história da formação da cidade fictícia de Irisópolis, antes conhecida como Tocaia Grande. Despovoado no início do século XX, o lugar fica conhecido por ter sido cenário de emboscada e matança.
     O mote do romance tem raiz na biografia do próprio Jorge Amado. Quando o escritor tinha apenas dez meses, seu pai, João Amado de Faria, sobreviveu a uma tocaia na região de Ferradas. O autor relembra o episódio nas memórias de infância O menino grapiúna (1982), livro que inspirou a escrita de Tocaia Grande.
     O romance, segundo anota o autor, foi escrito “de déu em déu”, entre 1982 e 1984, em São Luís do Maranhão, no Estoril (Portugal), em Itapuã e em Petrópolis. Indagado sobre a demora para concluir a obra, o escritor justificou-se: “É que desta vez não estou só escrevendo um romance - estou construindo uma cidade”.
     O livro retoma a temática da conquista da terra na região cacaueira, depois de muitas décadas em que o autor não revisitava o assunto. O ciclo do cacau foi um dos principais temas do início da carreira de Jorge Amado, em livros como Cacau (1933), Terras do sem-fim (1943) e São Jorge dos Ilhéus (1944).
     Tocaia Grande foi publicado em Portugal e ganhou traduções para dezessete idiomas. O texto de Jorge Amado foi ainda adaptado para a TV e virou novela da rede Manchete em 1995.
     "Tocaia Grande poderia ser um lugar inventado em Moçambique, com suas intrigas de poderes provincianos, seus jagunços, coronéis e prostitutas. Sobretudo porque Tocaia Grande não é lugar que caiba em nenhum mapa: é um território em construção, um chão em flagrante nascimento. O romancista brasileiro, tal como os seus homólogos moçambicanos, criou não apenas um lugarejo mas uma inteira nação onde aconteçam o narrador, os personagens e se invente um futuro colectivo.
     A história de Irisopólis, nascida em fulgor de arco-íris a partir de um povoado denominado Tocaia Grande, é a confirmação e negação de um passado que se esquece na sua própria celebração. Tal como todos os outros lugares, Tocaia Grande é feita de evocação mas, sobretudo, de esquecimento. Neste romance, Jorge Amado confirma que as cidades que nos seduzem não são da ordem da geografia, mas da invenção de cidadãos convertidos em fabulosos personagens."
     
     Trecho do posfácio de Mia Couto
   
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