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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Elisa Cardoso/ Máquina Estúdio
Foto de capa
Marcel Gautherot
21.00 x 14.00 cm, 288 pp.
ISBN 9788535911824
39,00
Mar morto
Romance, 1936 | Posfácio de Ana Maria Machado
     A vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica mitologia que gira em torno de Iemanjá, é o tema central de Mar morto, um painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela sobrevivência.
     Personagens como o jovem mestre de saveiro Guma parecem prisioneiros de um destino traçado há muitas gerações: os homens saem para o mar que um dia os tragará, levando-os com Iemanjá para as lendárias terras de Aiocá, e as mulheres os esperam resignadas no cais. No dia em que eles não voltarem, elas cairão na miséria ou na prostituição. Lívia, amada que busca em vão libertar Guma do chamado do mar, desempenhará um papel pioneiro na mudança de condição da mulher.
     Em torno de Guma e Lívia entrelaçam-se os dramas de inúmeros personagens muito vívidos: do preto Rufino e sua volúvel mulata Esmeralda; do velho Francisco, tio de Guma, que conserta redes desde que se tornou incapaz de enfrentar o mar; da valente e desbocada Rosa Palmeirão, de punhal no peito e navalha na saia.
     É com grande lirismo que Jorge Amado narra esse cotidiano de trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo momento. Em Mar morto, homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se conjugam de maneira trágica.
Ilustração de Osvaldo Goeldi


Alemanha, 1950


CONTO DA ILHA DESCONHECIDA, O
José Saramago
A possibilidade de realizar os sonhos é o tema de fundo dessa história sobre um homem que deseja um barco. Um canto de otimismo com raízes fincadas no chão, criado pela serena compreensão crítica de Saramago. Ilustrações: oito obras do artista plástico Arthur Luiz Piza.


     Publicado em 1936, Mar morto nasceu de um convite recebido em um momento difícil. Naquele ano, Jorge Amado fora preso pela primeira vez, acusado de participar da intentona comunista. Detido no Rio de Janeiro, o escritor passou dois meses na cadeia. Ao sair, teve o apoio do editor José Olympio para escrever um novo livro. Mar morto foi escrito no bairro da Gamboa de Cima, em Salvador, e concluído no Rio de Janeiro. No ano da publicação, o romance recebeu o prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras.
     Quinto livro publicado pelo autor, é uma de suas narrativas mais carregadas de poesia. Segundo o crítico Fábio Lucas, a prosa poética deste romance será um traço constante da obra de Jorge Amado, “ora exagerado, ora exercido controladamente”.
     O livro inspirou Dorival Caymmi a compor um de seus maiores sucessos: o mote “Como é doce morrer no mar”, que se repete ao longo do romance, se transformaria em tema do compositor. Na época do lançamento, entusiasmado com o livro, Mário de Andrade disse, em carta endereçada ao escritor baiano, que Mar morto transformou Jorge Amado em “doutor em romance”.
     Na década de 40, a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, e a Rádio El Mundo, de Buenos Aires, transformaram o romance em radionovela. Em 1960, o texto foi adaptado para os quadrinhos e, em 2001, a rede Globo exibiu a novela Porto dos milagres, inspirada em Mar morto.
     "Tudo começou neste livro, uma obra que, ao lado de Jubiabá e Capitães da Areia, assinala o momento do nascimento dessa imagem solar da Bahia no imaginário nacional. Mar morto nos traz esses retratos primordiais, como instantâneos, em todo o seu frescor, e nos devolve a densidade do ineditismo de que então se revestiam. Obra de um escritor de 24 anos. Ninguém poderia imaginar que conquistaria o mundo e exportaria essa imagem de baianidade por uma enorme quantidade de línguas e culturas. Ou que seus livros iriam inspirar novelas e minisséries na televisão e filmes por toda parte, até mesmo em Hollywood. Ou que, em 1961, mundialmente famoso, ia ser recebido com todas as honras e pompas na Academia Brasileira de Letras.
     Foi aqui, neste Mar morto e em outros livros da época, que tudo começou. O leitor que mergulhar nestas águas entenderá os motivos."
     
     Trecho do posfácio de Ana Maria Machado
   
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