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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Elisa Cardoso/ Máquina Estúdio
Foto de capa
Marcel Gautherot
21.00 x 14.00 cm, 280 pp.
ISBN 9788535912524
54,90
Terras do sem-fim
Romance, 1943 | Posfácio de Miguel Sousa Tavares
     As promessas de fortuna rápida são ouvidas por toda parte: aqueles que voltam de Ilhéus contam que o fruto do cacaueiro agora vale mais que ouro. Levas de aventureiros partem de Salvador e de cidades do interior para as “terras do sem-fim” no litoral baiano. Os pequenos povoados da região, como Tabocas e Ferradas, esperam ser desbravados para receber as plantações de cacau.
     A ganância povoa e estimula os sonhos dos trabalhadores, mas os perigos da empreitada naquela região ainda virgem não são poucos: mata cerrada, cobras venenosas, a varíola, ou bexiga, misteriosa febre que mata, assombrações, tocaias, tiros e sangue.
     Sinhô Badaró e seu temido irmão Juca Badaró são donos de uma fazenda naquelas terras. E a propriedade do coronel Horácio da Silveira fica na mesma vizinhança. A mata de Sequeiro Grande, boa para o plantio, vira objeto de disputa entre as duas famílias de poderosos. Para alcançar Sequeiro Grande, porém, é preciso atravessar o quinhão do lavrador Firmo. E ele não parece disposto a se desfazer de sua terra.
     Terras do sem-fim descreve o período de formação da zona cacaueira, com a sede pelo ouro do cacau, a luta pela posse da terra, o estabelecimento das plantações e a construção das pequenas cidades nos arredores de Ilhéus, no sul da Bahia, no começo do século XX.
     O universo dos coronéis, dos lavradores, dos capatazes, das senhoras de família e das prostitutas dos cabarés ganha um panorama histórico e autobiográfico de tonalidade épica. Narrativa formadora do universo ficcional de Jorge Amado, Terras do sem-fim retrata os laços sociais da região, retrabalha memórias de infância do autor e expõe a violência e a exploração que marcaram o período.
Ilustração de Clóvis Graciano


Brasil, 1943


LAVOURA ARCAICA
Raduan Nassar
A história de uma vida familiar marcada pela figura autoritária do pai e pelo amor desmedido da mãe. Uma parábola com ressonâncias bíblicas e de intenso vigor poético. Obra-chave da literatura brasileira.


     Lançado em 1943, Terras do sem-fim foi o primeiro livro publicado por Jorge Amado depois de seis anos de censura e perseguições políticas. O escritor tinha sido preso duas vezes, em 1936 e 1937, quando da publicação de Mar morto e Capitães da Areia, respectivamente. Após intensa atividade política e na imprensa durante o Estado Novo, fora obrigado a se exilar na Argentina e no Uruguai.
     O romance foi escrito em 1942, no exílio em Montevidéu, e concluído em Salvador no ano seguinte. Jorge Amado retoma, em Terras do sem-fim, esboços publicados na imprensa em 1939 sob o título de Sinhô Badaró. São da mesma época seus relatos biográficos engajados: ABC de Castro Alves (1941), e A vida de Luís Carlos Prestes (1942), este publicado em espanhol em Buenos Aires e depois lançado no Brasil como O cavaleiro da esperança.
     Terras do sem-fim é considerado por muitos críticos, entre eles Antonio Candido, como a mais alta realização literária de Jorge Amado. A força ficcional do romance concentra-se no retrato social profundo, inspirado nas experiências de infância e juventude do próprio autor, nascido em uma fazenda de cacau em Ferradas, distrito de Itabuna.
     O livro integra, ao lado de Cacau (1933) e São Jorge dos Ilhéus (1944) o ciclo de romances de Jorge Amado que tematizam a cultura cacaueira. O desbravamento das matas do litoral baiano, as disputas em torno da posse da terra e a vida social das cidades da região marcariam de tal forma a vida do escritor que ele voltaria a esse universo, desdobrando o tema e mudando sua perspectiva, em livros como Gabriela, cravo e canela (1958) e Tocaia grande (1984), assim como nas memórias de O menino grapiúna (1981).
     Terras do sem-fim foi o primeiro livro de Jorge Amado a ganhar as telas de cinema, em 1948, numa adaptação feita pela companhia cinematográfica Atlântida, com o título Terra violenta e direção do americano Eddie Bernoudy. O texto também viraria novela de TV: na Tupi, em 1966, e na Globo, em 1981.
   
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