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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio
23.00 x 14.00 cm, 104 pp.
ISBN 9788535920628
39,90
O compadre de Ogum
Novela, 1964 | Posfácio de Reginaldo Prandi
     Filho da alagoana Benedita e do negro Massu, Felício chama a atenção por sua beleza. Os olhos azuis do menino são motivo de dúvida sobre a sua paternidade: acredita-se que ele seja filho de um marinheiro loiro, o Gringo, ou do caixeiro Otoniel. Massu, porém, está certo de que é o pai da criança. Afinal, ele e Benedita “rebolaram-se” inúmeras vezes no areal.
     Certo dia, Benedita some no mundo, fugindo do ciúme do marido, para reaparecer tempos depois, muito doente. Ela bate à porta de Massu e lhe entrega o bebê. Some mais uma vez, e logo sua morte é dada como certa.
     Massu assume a tarefa de batizar o filho, que está para fazer um ano. Tibéria será madrinha, mas são muitos os candidatos a padrinho. Porém, Ogum anuncia que ele próprio vai ser o padrinho de Felício. Será a divindade admitida na igreja do Rosário dos Negros, no Pelourinho?
     Chega-se afinal a uma solução, mas o dia do batizado ainda reserva grande surpresa, e não apenas a todos os convidados, mas à gente da Cidade Baixa e até mesmo ao orixá guerreiro.
     Narrativa breve, espirituosa e de grande intensidade, O compadre de Ogum capta a curiosidade do leitor até o desenlace, desconcertante. O sincretismo religioso que justapõe o candomblé e o catolicismo é o traço cultural que permite, com humor e compreensão, aceitar diferenças e resolver conflitos.
Ilustração de Carybé


XANGÔ O TROVÃO
Reginaldo Prandi
Histórias que apresentam, em forma de verso, a religião de origem iorubá, trazida da África para o Brasil pelos escravos e conhecida hoje como candomblé. Nela, cada aspecto da natureza e da vida dos homens tem o seu orixá. Xangô, o Trovão, é o orixá responsável pelas questões de justiça e de governo.


     O compadre de Ogum é na verdade a segunda parte do romance Os pastores da noite, publicado em 1964. O texto ganhou existência independente a partir de 1995, quando foi adaptado para um especial de TV da rede Globo e passou a ser editado como livro separado. Em dezembro de 2002, a Globo apresentou nova versão de Os pastores da noite, em quatro episódios. Em 1975, a narrativa já ganhara destaque com o filme Os pastores da noite, dirigido pelo francês Marcel Camus.
     O enredo do livro apresenta temas recorrentes na literatura de Jorge Amado. A opção de ficar com as duas crenças, o catolicismo e o candomblé, em vez de escolher entre uma e outra, revela um traço que estará presente em outras obras do autor.
     A hesitação caracteriza o comportamento de Flor em Dona Flor e seus dois maridos (1966), uma vez que a protagonista escolhe não escolher entre o malandro Vadinho, o marido morto, e Teodoro, o respeitável esposo vivo.
     A miscigenação, o sincretismo e a ambigüidade são traços que estão ainda em outros romances do autor, como Gabriela, cravo e canela (1958) e O sumiço da santa (1988).
   
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