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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Mateus Valadares / Máquina Estúdio
21.00 x 14.00 cm, 360 pp.
ISBN 9788535917185
64,90
São Jorge dos Ilhéus
Romance, 1944 | Posfácio de Antonio Sérgio Guimarães
     Ilhéus ganhou fama em todo o Brasil graças ao ciclo do cacau. Nas primeiras décadas do século XX, a cidade cresceu vertiginosamente e ficou conhecida como a Rainha do Sul, atraindo trabalhadores e aventureiros de várias partes do nordeste e até mesmo de outras regiões do país. O cacau enriqueceu proprietários de terra, embalou o sonho dos lavradores e foi objeto de lutas sangrentas.
     Em São Jorge dos Ilhéus, Jorge Amado narra a saga da região cacaueira, com seus primeiros coronéis - personagens como Horácio da Silveira, Frederico Pinto e Sinhô Badaró -, que se tornaram homens ricos e poderosos, seguidos na aventura da exploração do cacau por jovens doutores, trabalhadores urbanos, operários e comerciantes.
     Depois de um período de luta pelas melhores terras, o fruto da cor do ouro tornou-se mercadoria de alto valor no mercado internacional, e os exportadores assumiram a dianteira dos negócios: os americanos Karbanks e Schwarz, o alemão Rauschnings e brasileiros como Carlos Zude, dono da empresa exportadora Zude, Irmãos & Cia.
     Aos poucos, toda a economia da região é lançada numa roda-viva em que trabalhadores rurais, proprietários de terras e operários se tornam peças de um jogo de risco.
     São Jorge dos Ilhéus narra o desdobramento da cultura cacaueira num momento em que o ciclo do cacau atinge um patamar de produção industrial e financeira. Ao lado de Terras do sem-fim (1943), o romance narra a vida de Ilhéus e região desde os seus primórdios, época de desbravamentos e disputas sangrentas, até a internacionalização que transformou a antiga localidade de São Jorge dos Ilhéus na cidade do dinheiro e dos cabarés, das promessas de bons negócios e dos acordos escusos.
Ilustração de Frank Schaeffer


Alemanha, 1953


     São Jorge dos Ilhéus é a continuação de Terras do sem-fim (1943), considerado por muitos críticos a obra-prima de Jorge Amado. Publicado em 1944, o romance compõe, com o livro anterior, um painel sobre a formação da sociedade cacaueira.
     Nos anos 30, época em que se passa a ação de São Jorge dos Ilhéus, a política e a economia locais já ostentam traços modernos, como o respeito às leis e a formalização dos contratos comerciais. Se durante o período de constituição das plantações de cacau as disputas partidárias e os negócios eram resolvidos a bala, agora são discutidos em telefonemas e fechados em escritórios comerciais. No entanto, ainda que a cidade de Ilhéus assista a um galopante processo de reformulação urbana e social, o desenvolvimento não eliminou elementos arcaicos que convivem com a modernização: o trabalho árduo, a exploração, a cobiça e a violência.
     O livro começou a ser esboçado em 1942, em Montevidéu - onde o autor se exilou por conta das perseguições políticas de que era vítima devido à sua militância comunista na época -, e foi concluído em Periperi, subúrbio de Salvador, em janeiro de 1944.
     São Jorge dos Ilhéus e Terras do sem-fim são narrativas complementares, que se somam a outros livros de Jorge Amado sobre o ciclo do cacau e a sociedade ligada a essa cultura: Cacau (1933), Gabriela, cravo e canela (1958), O menino grapiúna (1981) e Tocaia Grande (1984).
     O livro virou radionovela ainda na década de 40 e ganhou adaptação para os quadrinhos. Foi traduzido para mais de vinte idiomas.
   
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