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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Mateus Valadares / Máquina Estúdio
Foto de capa
Thomaz Farkas
21.00 x 14.00 cm, 160 pp.
ISBN 9788535917925
49,90
Suor
Romance, 1934 | Posfácio de Luiz Gustavo Freitas Rossi
     Nos cômodos diminutos e insalubres de um velho sobrado na ladeira do Pelourinho sobrevivem seiscentas pessoas: operários, mendigos, lavadeiras, prostitutas, desempregados, anarquistas - e muitos ratos. Ali, episódios se sucedem e se interpenetram, compondo um painel coletivo em que o personagem principal é o próprio cortiço, onde se amontoam moradores e suas histórias de vida: o homem que perdeu os dois braços num acidente de trabalho; a viúva do pedreiro que caiu do andaime porque o patrão pediu pressa na obra; a tuberculosa que tosse sem parar e não tem dinheiro para o tratamento; o pai de família que, sem condições de honrar o aluguel, acabou surrando a italiana que lhe cobrava o pagamento; o violinista que não tem onde exercer seu ofício.
     A lógica do lucro preside o próprio funcionamento do sobrado: os quartos são subdivididos sucessivamente e até o pátio é alugado para retirantes acamparem ao relento. O único lugar vago é o vão da escada, onde os moradores se aliviam, acumula-se o lixo e o mendigo Cabaça cria um rato de estimação. Dentre as muitas personagens do sobrado, destaca-se a jovem Linda, que se envolve com o mecânico Álvaro, líder operário.
     Suor retrata o cotidiano de miséria, sujeira e promiscuidade da vida urbana de Salvador. Ali, o suor de cada um, seu trabalho e sua intimidade, é ao mesmo tempo objeto de exploração e repulsa. O caráter naturalista das descrições é acompanhado de uma tomada de consciência: num contexto opressivo, em que a exploração do outro é a regra, a única saída parece ser a inspiração revolucionária.
Ilustração de Mario Cravo Junior


Argentina


TRABALHADORES
Sebastião Salgado
Seleção de fotos feitas ao longo de seis anos, registrando cenas de trabalho braçal em vários pontos do globo. Um tributo à dignidade "à moda antiga", permeada de humanismo e alto compromisso histórico.


     A criação de Sweat está diretamente ligada à experiência pessoal do jovem Jorge Amado. Em 1928, aos dezesseis anos, ele morou em um pequeno cômodo num dos sobrados coloniais do Pelourinho, em Salvador. Ali, pôde acompanhar de perto o cotidiano de homens e mulheres vivendo amontoados em moradias coletivas.
     Terceiro livro de Jorge Amado, Suor foi escrito no Rio de Janeiro em 1934, quando o autor tinha apenas 22 anos. No ano seguinte à publicação, foi traduzido para o russo e lançado em Moscou, junto com Cacau, seu livro anterior; o romance viria a ser publicado também em Portugal, além de ter sido traduzido para outros sete idiomas.
     Em 1937, em Salvador, vários exemplares do livro foram queimados em praça pública, junto com outras obras de Jorge Amado, por determinação da polícia do Estado Novo.
     Nas palavras do próprio autor, Suor constitui, ao lado de Cacau, o caderno de “um aprendiz de romancista”. Apesar de ser um dos primeiros livros do escritor, o romance já aponta temas e preocupações que serão retomados em outras obras. O uso de uma prosa fragmentada e polifônica, própria do modernismo, mostra que a investigação da linguagem já ocupava o jovem romancista.
     Suor foi saudado à época de seu lançamento por Graciliano Ramos e Oswald de Andrade. Sinal de que a passagem do tempo não afetou a vitalidade da narrativa, na década de 70 Celso Furtado usou trechos dela em suas aulas nos Estados Unidos sobre as estruturas sociais brasileiras. Para o economista, o que prevalece na literatura de Jorge Amado não é a mensagem explícita, mas a densidade humana dos personagens. Nas palavras de Furtado, Jorge Amado “nos conduz pelos labirintos de uma sociedade cruel, mas constituída por gente em quem domina o desejo de fazer o bem, mesmo quando isso não está ao seu alcance”.
   
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Créditos | Fundação Casa de Jorge Amado
Apoio educacional: Volkswagen
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