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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Mateus Valadares / Máquina Estúdio
21.00 x 14.00 cm, 312 pp.
ISBN 9788535919288
54,90
Os subterrâneos da liberdade | Os ásperos tempos
Os subterrâneos da liberdade, vol. 1
Romance, 1954 | Posfácio de Daniel Aarão Reis
     O romance Os ásperos tempos é o primeiro volume da trilogia Os subterrâneos da liberdade. O livro narra a instauração do regime ditatorial do Estado Novo, imposto em 1937 por Getúlio Vargas, desde os seus preparativos. São Paulo e seus escritórios, seus salões da alta sociedade, seus espaços operários e aparelhos clandestinos são os principais cenários da narrativa.
     A casa do banqueiro Costa Vale é um centro de decisões políticas mais importante que o gabinete do presidente. Este é visto por seus opositores como um fantoche da burguesia e das potências estrangeiras. As demais forças políticas não são menos comprometidas: o integralismo é uma paródia do nazi-fascismo, os trotskistas são igualados aos agentes da polícia, e a política trabalhista de Vargas é um meio de enganar os operários, abrindo caminho para o surgimento de falsos líderes sindicais.
     O engajamento do romance adota um teor realista que pretende ensinar sobre a história brasileira e incitar à tomada de posição. Os movimentos de resistência ganham destaque, como um foco de guerrilha camponesa que leva à revolta dos índios pataxós no sul da Bahia. Acompanha-se também a passagem de Apolinário, um membro do Partido Comunista, pelo Uruguai, onde o militante encontra apoio. E a jovem Mariana, integrante do partido, vive devotada à causa dos companheiros.
     Apesar do forte conteúdo político, a estrutura narrativa sobressai, pois aproveita o formato de folhetim para descrever negociatas, paixões, adultérios, casamentos arranjados e perseguições policiais, preservando a habilidade narrativa característica de Jorge Amado. A combinação entre arte e política de Os ásperos tempos foi decisiva para a experiência ficcional do autor.
Argentina, 1957


STÁLIN
Simon Sebag Montefiore
Nesta biografia de Stálin e de seus assessores mais próximos, os chamados "magnatas", Simon Sebag Montefiore expõe em minúcia a vida cotidiana e os bastidores do Kremlin, num período marcado por suspeitas, perseguições, execuções e terror generalizado.


     A trilogia Os subterrâneos da liberdade é composta pelos romances Os ásperos tempos, Agonia da noite e A luz no túnel; caracteriza-se por uma forte crítica à ditadura de Getúlio Vargas, o Estado Novo (1937-45), do ponto de vista de um integrante do Partido Comunista Brasileiro. Jorge Amado era militante desde 1932, mas após as denúncias de Nikita Khruchióv contra Stálin no 20o.Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o escritor se desliga do PCB.
     Obra de literatura engajada, escrita por um autor que procurou atuar em seu momento histórico, os romances de Os subterrâneos da liberdade pretendem ser também documento e instrumento de luta. Aqui, o autor abandona a paisagem e os personagens baianos, centrais em sua ficção. São Paulo é o espaço principal das ações, palco daqueles que apóiam o regime, assim como de seus opositores e das forças econômicas dominantes.
     O escritor conta detalhes da repressão ao Partido Comunista Brasileiro, das censuras, torturas e prisões (o próprio Jorge Amado foi preso duas vezes no período), fazendo na ficção uma crônica histórica daquele momento conturbado da política brasileira.
     O livro foi escrito no exílio, depois que, em 1948, o registro do Partido Comunista foi cancelado e o mandato parlamentar de Jorge Amado, cassado. O escritor mudou-se então para Paris. Sua mulher, Zélia Gattai, e o filho do casal, João Jorge, juntaram-se a ele em seguida. O romancista foi obrigado a deixar também a França, transferindo-se para Praga, na Tchecoslováquia, onde se instalou com a família no Castelo dos Escritores, antiga residência aristocrática transformada em sede da intelectualidade comunista.
     Foi ali que a série Os subterrâneos da liberdade começou a ser escrita, em março de 1952. A trilogia foi concluída em novembro de 1953, no Rio de Janeiro, e publicada em 1954. Nas cinco primeiras edições, foi editada como um único romance. Depois, passou a ser publicada em seu formato atual, dividida em três volumes, atendendo à idéia original do autor.
     Autocrítico, Jorge Amado reconheceu anos mais tarde o caráter sectário da obra. “Não há nada pior que o espírito de seita. Esse tipo de pensamento mofou”, disse ele. Por outro lado, reconheceu a importância desses romances em seu amadurecimento literário. “Descobri ali a grande arquitetura do romance - algo que me foi de muita valia mais tarde, em livros como Dona Flor, Tereza Batista, Tieta do Agreste, Tocaia Grande e Tenda dos Milagres, textos que representam um nítido reflorescer em minha obra.”
   
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