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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Mateus Valadares / Máquina Estúdio
21.00 x 14.00 cm, 312 pp.
ISBN 9788535919639
59,90
Os subterrâneos da liberdade | Agonia da noite
Os subterrâneos da liberdade, vol. 2
Romance, 1954 | Posfácio de Daniel Aarão Reis
     Agonia da noite é o segundo volume da trilogia Os subterrâneos da liberdade. O romance dá continuidade a Os ásperos tempos, que descreve a implantação do Estado Novo (1937-45) e as primeiras reações ao governo ditatorial de Getúlio Vargas. Este livro retrata as ações criminosas do regime e a resistência inspirada pelo Partido Comunista Brasileiro. A narrativa aborda a situação política no Brasil, mas também o panorama internacional, com a Segunda Guerra Mundial e os interesses imperialistas.
     O enredo apresenta o negro Doroteu, estivador no porto de Santos, e sua companheira, Inácia. O que une o casal é não apenas o amor, mas também o ideal político: se tiverem um filho, ele se chamará Luís Carlos, como Prestes. O nome rende homenagem ao líder revolucionário então preso e condenado.
     Doroteu participa de um protesto contra a venda do café brasileiro ao governo de Francisco Franco, ditador espanhol. Os trabalhadores do porto iniciam uma greve, o que durante o Estado Novo era crime previsto na Constituição. A burguesia também está presente, reunida para uma festa à fantasia em homenagem ao ministro do Trabalho.
     A greve repercute em outras paragens revolucionárias: nas fábricas de São Paulo e no Mato Grosso. Mas até mesmo dentro do partido há forças desagregadoras, como o jornalista Saquila.
     Agonia da noite descreve o endurecimento do Estado Novo e a necessidade urgente do combate político e da luta pela liberdade. Agora que o regime ditatorial instalou-se, a resistência se faz ainda mais necessária. A reforma agrária e o enfrentamento do interesse estrangeiro são temas que podem despertar a tomada de consciência dos trabalhadores para a luta contra a ditadura e o imperialismo.
Brasil


STÁLIN
Simon Sebag Montefiore
Nesta biografia de Stálin e de seus assessores mais próximos, os chamados "magnatas", Simon Sebag Montefiore expõe em minúcia a vida cotidiana e os bastidores do Kremlin, num período marcado por suspeitas, perseguições, execuções e terror generalizado.


     A trilogia Os subterrâneos da liberdade é composta pelos romances Os ásperos tempos, Agonia da noite e A luz no túnel; caracteriza-se por uma forte crítica à ditadura de Getúlio Vargas, o Estado Novo (1937-45), do ponto de vista de um integrante do Partido Comunista Brasileiro. Jorge Amado era militante desde 1932, mas após as denúncias de Nikita Khruchióv contra Stálin no 20o.Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o escritor se desliga do PCB.
     Obra de literatura engajada, escrita por um autor que procurou atuar em seu momento histórico, os romances de Os subterrâneos da liberdade pretendem ser também documento e instrumento de luta. Aqui, o autor abandona a paisagem e os personagens baianos, centrais em sua ficção. São Paulo é o espaço principal das ações, palco daqueles que apóiam o regime, assim como de seus opositores e das forças econômicas dominantes.
     O escritor conta detalhes da repressão ao Partido Comunista Brasileiro, das censuras, torturas e prisões (o próprio Jorge Amado foi preso duas vezes no período), fazendo na ficção uma crônica histórica daquele momento conturbado da política brasileira.
     O livro foi escrito no exílio, depois que, em 1948, o registro do Partido Comunista foi cancelado e o mandato parlamentar de Jorge Amado, cassado. O escritor mudou-se então para Paris. Sua mulher, Zélia Gattai, e o filho do casal, João Jorge, juntaram-se a ele em seguida. O romancista foi obrigado a deixar também a França, transferindo-se para Praga, na Tchecoslováquia, onde se instalou com a família no Castelo dos Escritores, antiga residência aristocrática transformada em sede da intelectualidade comunista.
     Foi ali que a série Os subterrâneos da liberdade começou a ser escrita, em março de 1952. A trilogia foi concluída em novembro de 1953, no Rio de Janeiro, e publicada em 1954. Nas cinco primeiras edições, foi editada como um único romance. Depois, passou a ser publicada em seu formato atual, dividida em três volumes, atendendo à idéia original do autor.
     Autocrítico, Jorge Amado reconheceu anos mais tarde o caráter sectário da obra. “Não há nada pior que o espírito de seita. Esse tipo de pensamento mofou”, disse ele. Por outro lado, reconheceu a importância desses romances em seu amadurecimento literário. “Descobri ali a grande arquitetura do romance - algo que me foi de muita valia mais tarde, em livros como Dona Flor, Tereza Batista, Tieta do Agreste, Tocaia Grande e Tenda dos Milagres, textos que representam um nítido reflorescer em minha obra.”
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