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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Mateus Valadares / Máquina Estúdio
21.00 x 14.00 cm, 296 pp.
ISBN 9788535914078
47,00
Os velhos marinheiros ou O capitão-de-longo-curso
Romance, 1961 | Posfácio de Fábio Lucas
     Vasco Moscoso de Aragão desembarca em Periperi, litoral baiano. Sua farda de marinheiro, seus mapas, o cachimbo e o telescópio viram atrações na pequena cidade. Além dos instrumentos náuticos que fascinam os moradores, a população local se deixa conquistar também pelas histórias contadas pelo capitão-de-longo-curso.
     São narrativas que dão notícia de países longínquos e portos distantes como Marselha, Nova York, Hong Kong, Xangai, Calcutá. São fatos admiráveis e aventureiros como o enfrentamento de tempestades e tubarões do mar Vermelho, naufrágios em ilhas remotas, amores trágicos e pecaminosos.
     Nesta narrativa contada em tom de histórias de marinheiro, Jorge Amado apresenta um quadro de costumes da sociedade baiana do começo do século XX. Ali, na pacata localidade litorânea, convivem doutores ilustres, ricos comerciantes, senhoras de respeito, aposentados, funcionários públicos e desocupados.
     Dentro desse universo comum, sobressai o comandante, com suas experiências extraordinárias. A vida no mar lhe ensinou conhecimentos que extrapolam a navegação: afloram também suas qualidades de homem honrado, de exímio jogador de pôquer e de conquistador romântico. De uma hora para outra, Periperi encontrou um herói.
     Mas o comandante não tarda a despertar inveja e desconfiança. Convencido de que o comandante é um falsário, o fiscal aposentado Chico Pacheco vai investigar a vida pregressa de Vasco Moscoso de Aragão.
     Em Os velhos marinheiros, Jorge Amado contrapõe a vida regrada e repetitiva do cotidiano ao mundo aventuroso dos marinheiros, em que não se distinguem verdade e fantasia, sonho e realidade, a tensão do acontecido e a beleza do narrado.
Alemanha, 1964


MAR SEM FIM
Amyr Klink
Neste relato ricamente ilustrado, Amyr Klink descreve a viagem que fez dentro da Convergência Antártica, percorrendo a região que para os navegadores antigos estava "além do inferno". Foram cerca de 14 mil milhas, navegadas durante cinco meses de solidão, temor e encantamento.


     A narrativa de Os velhos marinheiros foi concluída no Rio de Janeiro no início de 1961. Originalmente, o texto foi publicado no volume Os velhos marinheiros, que tinha o romance Os velhos marinheiros ou O capitão de longo curso junto com a novela A morte e a morte de Quincas Berro Dágua.
     Jorge Amado vivia então uma fase de intensa produção literária e grande reconhecimento. Depois de se distanciar do Partido Comunista, em meados da década de 1950, publicou Gabriela, cravo e canela, livro que marca uma virada em sua obra. Em 1961, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano, A morte e a morte de Quincas Berro Dágua era publicada em francês na revista Temps Modernes. O autor recebeu então homenagens na Bahia e no Rio de Janeiro pelos trinta anos de sua estréia literária, ocorrida com a publicação do romance O país do carnaval.
     A partir de 1976, o romance protagonizado por Vasco Moscoso de Aragão passou a ser editado à parte, com o título Os velhos marinheiros ou O capitão-de-longo-curso. A revista francesa Lire de janeiro de 1979 incluiu o livro Le vieux marin, em tradução de Alice Raillard, entre os vinte melhores livros publicados na França no ano anterior. O romance teve mais de cinqüenta edições, foi publicado em Portugal e ganhou traduções em diversos idiomas.
     Em 2006, quando Jorge Amado foi o autor homenageado na FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), a cantora Maria Bethânia leu trechos do livro durante o show que fez inspirada na obra do escritor. “Memórias do mar”, composição de Jorge Portugal e Vevé Calasans interpretada por Bethânia, é diretamente inspirada nesta narrativa de Jorge Amado.
   
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