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Projeto gráfico
Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Elisa Cardoso/ Máquina Estúdio
21.00 x 14.00 cm, 128 pp.
ISBN 9788535912401
42,90
A descoberta da América pelos turcos
Romance, 1992 | Posfácio de José Saramago
     Raduan Murad e Jamil Bichara descobriram a América juntos: vieram no mesmo barco de imigrantes e desembarcaram na Bahia em 1903. No litoral sul do Estado, eram chamados de “turcos”, forma brasileira de designar todos os árabes, fossem eles da Síria, do Líbano ou de fato da Turquia.
     Definido pelo autor como um “romancinho”, A descoberta da América pelos turcos é uma narrativa breve sobre a contribuição dos descendentes de árabes na civilização do cacau, durante a época em que coronéis e jagunços disputavam as terras virgens da região de Ilhéus.
     O libanês Raduan e o sírio Jamil decidiram então tentar a sorte no eldorado do cacau. Jamil se estabeleceu no povoado de Itaguassu, onde abriu um pequeno comércio. Raduan preferiu permanecer em Itabuna, onde freqüentava as mesas de pôquer, os botequins, os cabarés e as pensões de mulheres.
     O enredo, curto e hilariante, apresenta a história de um casamento arranjado, mas de difícil realização. Ibrahim Jafet, viúvo e pai de três beldades (Samira, Jamile e Fárida), quer casar sua última filha solteira, a severa e mal-ajambrada Adma. Ao pretendente, oferece sociedade no armarinho O Barateiro, estabelecimento de tradição e administração familiar.
     Tentado por Shitan, o tinhoso dos muçulmanos, e pelo amigo Raduan, o sírio Jamil vai pensar seriamente no negócio: para herdar O Barateiro, faria o sacrifício de se casar com Adma? Escrito com humor desbocado e o enlevo narrativo próprio do autor, A descoberta da América pelos turcos faz um elogio da mestiçagem dos sangues árabe e baiano, em seus elementos de fraternidade, alegria e erotismo.
 
Veja vídeo (2m04)
Ilustração de Pedro Costa


Argentina, 1994


     Descoberta ou conquista? Epopéia ou genocídio? A interpretação sobre a chegada dos europeus ao Novo Mundo é controversa. Os descobridores italianos e os conquistadores espanhóis e portugueses foram os primeiros a aportar em terras americanas. A descoberta do Novo Mundo pelos turcos, por sua vez, se deu com grande atraso. Se considerarmos a região cacaueira, no sul da Bahia, ela aconteceu apenas no começo do século XX.
     Escrito por ocasião dos quinhentos anos do descobrimento da América, em 1992, este romance curto foi produzido por Jorge Amado sob encomenda. O projeto era de uma empresa italiana e consistia em um livro com histórias escritas por três autores do continente americano, um de língua inglesa, um de língua espanhola e outro de língua portuguesa.
     O livro coletivo não se concretizou, por questões extraliterárias, mas já em 1992 A descoberta da América pelos turcos era publicado em francês e, no ano seguinte, em turco. A primeira edição brasileira saiu apenas em 1994.
     O divertido caso do sírio Jamil Bichara, a quem é oferecida a mão de Adma, retoma elementos de livros anteriores, sobretudo de Tocaia Grande, texto do qual esta história fazia parte - Jorge Amado, porém, decidiu não incluí-la no romance anterior, por não se encaixar no enredo.
     Ambos os livros estão entre narrativas do autor que tematizam o universo da cultura cacaueira, dentre as quais destacam-se também Cacau, Terras do sem-fim, São Jorge dos Ilhéus, Gabriela, cravo e canela e O menino grapiúna.
   
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